Coisa de criança...
por Felipe Teram 
Existe uma barreira bem delimitada que separa o que podemos chamar de filmes de guerra e filmes sobre a guerra. Não trata-se de algo tão abstrato quanto prático: basta observar as reações de um espectador que acaba de assistir a Resgaste do Soldado Ryan (1998) e um outro que aguenta assistir a Fahrenheit 11/09 até o fim. No primeiro filme, provavelmente, o espectador será abalado pelas vibrações imagéticas que transportarão suas pulsações sensoriais ao temente mundo das belicosas batalhas yankees. No segundo filme, certamente o espectador manterá certa distância do assunto por mais que o tom reflexivo faça-o ponderar de forma mais apurada sobre o tema da “luta contra o terror” – e no máximo, o espectador manterá um rancor indignado.
Essa diferenciação, ou pelo menos sua lógica, pode fornecer uma astuta reserva às promessas da divulgação de Onde Vivem os Monstros, inspirado no romance de Maurice Sendak e dirigido por Spike Jonze.