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Parola: Lucrecia Martel

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Na 6ª FLIP, ano passado, o diretor de programação, Flávio Moura, contava com uma festa onde o diálogo entre livros e outras artes matizasse as mesas e debates. Por conta disso, Neil Gaiman teve de passar umas longas horas dando autógrafos e Lucrecia Martel, quase imperceptível em meio às figuras excêntricas que caminham pelas vielas de paralelepípedos, caiu de pára-quedas ao dividir uma mesa com o gaúcho João Giberto Noll [de fala mais incompreensível que o próprio acento argentino], sem muito resultado.

Na mesma época, nossa crítica inveterada, Natalia Barrenha, desenvolvia seu projeto de Mestrado, uma análise do som na obra da cineasta, os filmes O Pântano [2001], A Menina Santa [2004] e La mujer sin cabeza [2008]. Este seria apresentado exclusivamente para a Flip, numa pré-estreia digna da Providência – até então, o filme só havia sido exibido na competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes -, já que até hoje ele não configurou entre os cartazes.

A coletiva com a cineasta abriria a longa fila de autores na berlinda na Pousada do Ouro. Lá, estavam Lucrecia e Natalia, uma mais tímida que a outra, num silêncio quase sepulcral, em meio aos figurões do jornalismo brasileiro que nada tinham a perguntar àquela argentina miúda de óculos engraçado. Prato cheio para que Natalia enfrentasse a vergonha, caprichasse no espanhol e roubasse a cena - o que lhe rendeu elogios posteriores da própria Lucrecia e um agradecimento caloroso da assessoria da FLIP.

Afinal, havia transformado a coletiva em exclusiva.

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Primeiro Manifesto do New American Cinema Group

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por Thiago Venanzoni

Tendência no cinema mundial, na virada dos anos 1950 para os 60 o cinema norte-americano também vivenciou um período de transição. Seu principal centro de produção cinematográfica, Hollywood, vivia uma crise financeira sem precedentes, com superproduções alçadas a custosos investimentos, sem, no entanto, atingir o pretendido retorno de público e bilheteria, alastrando o panorama deficitário em que se situavam os estúdios, época de filmes como Cleópatra [1963], de Joseph Mankiewicz, épico orçado em milhões de dólares que nem mesmo o reforço de Elizabeth Taylor e Richard Burton no cast ou a legitimação pela premiação com quatro Oscar puderam justificar os investimentos faraônicos.

Anos antes, outro acontecimento anunciava mudanças sistemáticas no interior desse quadro, como alternativa à condição hegemônica dos estúdios: Jonas Mekas, Gregory Markopolous, Kenneth Anger e John Cassavetes, entre outros, totalizando 23 cineastas, encontraram-se em Nova York decidindo fundar uma associação independente de financiamento, promoção e distribuição, feito inédito no país da indústria cinematográfica por excelência.

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Parola: Cássio Starling Carlos

ensaio_cassiopor Felipe Arra e Isaac Pipano

Poucas vezes, em momentos dessa estranha atividade intelectual que é estar diante de uma crítica, encontramos ressonância da nossa própria voz, como se as palavras escolhidas pudessem ter sido escritas por nós mesmos, tamanha a coincidência de ideias. Frequentemente, no entanto, esse raro prazer, para nós da Projeções, era despertado pela leitura de Cássio Starling Carlos e suas críticas na Folha de S. Paulo

Apesar de ser jornalista na prática, Cássio estudou História e Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais. Cidade em expansão, mas ainda provinciana, Belo Horizonte não possuía grande oferta cultural a um “jovem careta”. Porém, ao invés de se mudar para São Paulo ou Brasília para estudar cinema, Cássio foi encontrar na Biblioteca Pública, mais precisamente nas edições da Cahiers du Cinéma e um dicionário de francês, para ler palavra a palavra no idioma de André Bazin, o espaço de vazão às suas idéias.

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