ensaio_cassiopor Felipe Arra e Isaac Pipano

Poucas vezes, em momentos dessa estranha atividade intelectual que é estar diante de uma crítica, encontramos ressonância da nossa própria voz, como se as palavras escolhidas pudessem ter sido escritas por nós mesmos, tamanha a coincidência de ideias. Frequentemente, no entanto, esse raro prazer, para nós da Projeções, era despertado pela leitura de Cássio Starling Carlos e suas críticas na Folha de S. Paulo

Apesar de ser jornalista na prática, Cássio estudou História e Filosofia na Universidade Federal de Minas Gerais. Cidade em expansão, mas ainda provinciana, Belo Horizonte não possuía grande oferta cultural a um “jovem careta”. Porém, ao invés de se mudar para São Paulo ou Brasília para estudar cinema, Cássio foi encontrar na Biblioteca Pública, mais precisamente nas edições da Cahiers du Cinéma e um dicionário de francês, para ler palavra a palavra no idioma de André Bazin, o espaço de vazão às suas idéias.

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Num final de tarde na rua Augusta, antes da exibição do longa de estréia do também crítico e amigo de Cássio, Eduardo Valente [editor da Revista Cinética], que apresentava para a cidade pela primeira vez No Meu Lugar, Cássio falou aos editores Felipe Arra e Isaac Pipano [com a ajuda dos colaboradores Eduardo Rizzo, Natalia Barrenha e Pedro Pipano] sobre crítica, cinema de autor, indústria, cânones e idiossincrasias.

Antes de entrarmos na sala para a sessão, porém, Cássio, de mochila nas costas, saiu de fininho: “É ruim ser crítico e ver filme de amigo. Há sempre o risco de ser uma bomba e você não saber o que dizer”. Eis o fardo de ser crítico:

 

 

 

[Leia a entrevista na íntegra na edição nº01 da Revista Projeções]